STEREO SOL
A NASA enviou em outubro de 2006 uma missão batizada de STEREO - Solar TErrestrial RElations Observatory - para estudar o Sol com uma inédita visualização em três dimensões. Pela primeira vez, cientistas poderão ver e estudar o Sol em 3-D. Nas imagens abaixo, vemos a imagem em 2-D e 3-D, sendo que esta última precisa de óculos especiais para ser visualizada; por isso, a imagem parece "borrada".
Para conhecer a missão, veja o vídeo abaixo:
"STEREO: missão solar(http://www.youtube.com/watch?v=HA6BlsQvBuo)
[ MAIS ]
NASA
NASA Stereo
More 3D Solar Images from STEREO
STEREO 3D movies/animations
[ HUMOR ]
Níquel Náusea, (http://www2.uol.com.br/niquel/)
ABS
SILVÉRIO ORTIZ [9:39 PM]
HOMEM-PÁSSARO
Santos Dumont e seu invento: uma máquina voadora que decola sozinha, o 14 Bis. (http://www.jadu.de)
HOMENS NÃO VOAM. Pelo menos não por seus próprios meios, já que voar em aviões é parte do cotidiano de nossa sociedade atual, com todos os benefícios e riscos envolvidos. Riscos em evidência nestes dias, dado o trágico acidente com o Boeing da Gol. Riscos que, aliás, já foram maiores, em época na qual os benefícios de um avião para transporte de pessoas e cargas eram apenas imaginados. O avião, vale lembrar, é uma invenção do século 20, com um pouco mais de 100 anos - recente, portanto. E nos impressiona como mudou o mundo desde então, encurtando o tempo de viagem entre os lugares mais distantes do planeta. Antes do avião, atravessar o Atlântico era coisa para muitas semanas de viagem marítima; após sua invenção e evolução, a viagem passou a ser contada em horas pelo ar. Mas quando foi que a humanidade começou a desejar os ares?
O CÉU SE APRESENTA nas mitologias de diferentes culturas como sendo o lugar de seres divinos. Embora habitado por deuses, poderia ser alcançado por alguns mortais, como no mito grego de Ícaro: Dédalo, o pai arquiteto, constrói asas com penas e cera e voa em companhia de seu filho, Ícaro, fugindo da prisão na ilha de Creta. Embora alertado por seu pai, o jovem sobe demais e se aproxima perigosamente do Sol (que é um deus em praticamente todas as mitologias). O calor do Sol faz com que a cera que prendia as penas derreta e Ícaro vê suas asas desaparecerem. Cai no mar Egeu e morre afogado: sua desobediência e ousadia foi punida com a morte. Afinal, o céu é para os deuses. E para os pássaros.
Leonardo Da Vinci desenhou o ornitóptero, aparelho para voar inspirado nos pássaros. (http://milan.milanovic.org/)
A CONCEPÇÃO DE VÔO presente no mito e que foi imitada por muitos é a do homem imitando os pássaros, que voam batendo as asas. Para voar, pensava-se, é necessário que o homem bata asas, de alguma forma. Nota-se no relato mítico a ausência da idéia de máquinas, impensável na sociedade antiga (como imaginar algo funcionando sozinho?), e de uma física intuitiva, que deduz a ciência do vôo apenas pela observação. Embora anterior ao filósofo Aristóteles, que viveu no século 4 a.C., o mito revela a mesma forma de fazer ciência que constituiu a física aristotélica: ao contrário da ciência moderna, aquela não prevê a experimentação para se conhecer algo. Deste modo, imitar os pássaros para voar fazia todo sentido.
O padre Bartolomeu Gusmão inventa o balão de ar quente, em 1709. (http://www.emfa.pt)
LEONARDO DA VINCI, em 1485, faz uso dessa física intuitiva e projeta seu ornitóptero. Da Vinci era um estudioso e paciente observador do vôo dos pássaros; como não poderia ser diferente, projetou um aparelho feito com asas que batiam, ligadas aos braços. Seu ornitóptero era uma espécie de armadura de pássaro para um homem. Tudo indica que Da Vinci nunca tenha tirado seu desenho do papel, mas não é difícil prever que jamais funcionaria: o bater de asas não é forte o suficiente para sustentar o peso de um homem, muito menos com o peso adicional de asas e demais peças do aparelho. Mas isto ainda não estava claro para os homens da época.
Otto Lilienthal, o alemão que foi o primeiro homem a realizar um vôo tripulado controlado, em 1891. (http://www.flyingmachines.org/)
MAS EXISTE OUTRA FORMA DE VOAR sem ser batendo asas. E foi um padre brasileiro quem primeiro demonstrou isso, perante uma corte portuguesa atônita, em 1709. Neste ano, Bartolomeu Gusmão contruiu seu Aeróstato - uma espécie de balão de São João - e demonstrou para o rei D. João V e para o mundo que se poderia subir com o uso do ar quente. Estava semeada a idéia de balões transportando homens: 74 anos depois de Gusmão, em 1783, os irmãos franceses Montgolfier conseguiram o primeiro vôo tripulado, percorrendo dois quilômetros a uma altitude máxima de 2 mil metros. Os homens, enfim, voam! Nos anos seguintes ao vôo dos franceses a tecnologia do balão de ar quente foi superado pela do balão de hidrogênio, um gás descoberto alguns anos antes (1766) e que facilitava o manuseio do aparelho; mas tinha um inconveniente: era inflamável. As máquinas "mais-leves-que-o-ar" eram grandes bolas inflamáveis que voavam ao sabor dos ventos, com baixíssima dirigibilidade. O jeito era investir na forma de voar dos pássaros: construir máquinas "mais-pesadas-que-o-ar" com asas.
A primeira máquina voadora, o Flyer dos irmãos Wright. Voa, mas não decola sozinho. (http://www.pbs.org)
NO QUESITO VOAR COM ASAS os avanços eram lentos. Com asas batendo, nem pensar: o primeiro vôo tripulado foi realizado com asas fixas e quase-imóveis - um vôo planado - no ano de 1891. Naquele ano, o alemão Otto Lilienthal contruiu e vôou com uma asa-delta motorizada. O Ícaro moderno fez mais de 2 mil testes ao longo de cinco anos, até que seu aparelho perdeu a asa em pleno vôo. Lilienthal caiu de uma altura de 17 metros e partiu a espinha, vindo a morrer no dia seguinte. O risco do empreendimento de voar era óbvio: alguns erros só são cometidos uma vez. Não era essa a mensagem do mito grego? Assim como em outros capítulos da história humana, o desenvolvimento da aviação (aeronáutica) exigiu sacrifícios de seus protagonistas, muitas vezes com a própria vida; estes viram mártires. Os que conseguiram sobreviver - por um misto de sorte com competência - fizeram história e viraram heróis.
Dirigível nº 7 de Santos Dumont. (http://www.earlyaviators.com/)
MUITOS FORAM OS QUE CONSTRIBUÍRAM para o desenvolvimento da aeronáutica; esta aventura humana desde tempos imemoriais tem heróis e mártires, que impulsionaram a aviação e modelaram a sociedade atual. A invenção do avião tem muitos autores que fizeram diferentes porém importantes contribuições na compreensão e no desenvolvimento desta tecnologia. Dentre os heróis, têm lugar de destaque o brasileiro Alberto Santos-Dumont e os norte-americanos Wilbur e Orville Wright.
Santos Dumont contorna a torre Eiffel em 19 de outubro de 1901. (http://www.centennialofflight.gov/)
SANTOS DUMONT foi um dos brasileiros mais importantes de toda história, senão o mais. Também foi um dos mais criativos e inventivos, com uma capacidade impressionante de produzir e criar. Dono de recordes históricos, fez dezenas de inventos, entre os quais o primeiro balão controlado (dirigível) a contornar a Torre Eiffel, em 1901, e o primeiro avião auto-propulsionado da história, o 14 Bis, em 1906. Sua paixão pelos ares começou em um passeio de balão, oito anos antes do 14 Bis.
Primeiros testes com o balão nº14 e seu anexo, o 14 Bis. (http://www.first-to-fly.com/)
EM MARÇO DE 1898, Santos Dumont conheceu Paris a 1,5 mil metros de altura, a bordo de um balão. Decidiu que viveria para a aeronáutica e começou, já no dia seguinte, a projetar seu primeiro balão, batizado de Brasil. Naquela época os balões usavam gás hidrogênio para sustentação - um gás ótimo por ser "leve" (menos denso que o ar), mas perigoso por ser inflamável. Santos Dumont, no entanto, não se conformava com a falta de dirigibilidade dos balões, pois queria controlar seu vôo; sair e chegar onde você quiser, não onde o vento te levar. Passou, então, a dedicar sua atenção aos balões dirigíveis, que apresentavam enormes dificuldades de voar: os motores eram simplesmente muito pesados! Usando uma nova invençao da época, os motores a explosão (derivados de petróleo), com melhor relação entre a potência e o peso, Santos Dumont consegue excelente resultados, recordes e prêmios: em 1901, contorna a Torre Eiffel e ganha uma premiação de 100 mil francos, que generosamente distribui entre seus colaboradores e pobres da cidade.
Vôo do 14 Bis, em outubro de 1906. (http://www.first-to-fly.com/)
SANTOS DUMONT CONTINUA SEUS ESTUDOS com balões dirigíveis, contruindo e testando um atrás do outro. Em 1903, fica sabendo que os irmãos Wright são bem sucedidos na construção de uma aeronave mais pesada que o ar - o avião. Em julho de 1906, Santos Dumont sobe aos céus com seu balão nº 14 carregando uma outra máquina, um aeroplano batizado de 14 Bis. O inventor que provara a dirigibilidade dos balões - chamados aeróstatos, na época - começava a dedicar-se ao problema dos mais pesados que o ar - os aeroplanos. Embora já inventado pelos irmãos Wright três anos antes, até o momento não se conseguira inventar um avião que decolasse por meios próprios; eram necessários ventos fortes e outros artifícios para a decolagem das máquinas voadoras. Os próprios irmãos Wright, que já realizavam vôos com mais de 30 km em 1906, só decolavam com auxílio de uma espécie de catapulta ou com ventos contrários muito fortes. Quando Santos Dumont começa seus experimentos com o 14 Bis, os aviões eram como um carro sem motor de arranque: só pegavam empurrando.
Vôo do Demoiselle, obra-prima de Santos Dumont e precursor dos ultra-leves, em 1909. (http://www.first-to-fly.com/)
APÓS TESTES E APRIMORAMENTOS, o 14 Bis estava pronto para seu vôo inaugural e inédito no dia 23 de outubro de 1906, no Campo de Bagatelle. O võo pioneiro de 60 metros não foi homologado nesta data, por imprecisões na medida, e foi novamente agendado para o dia 12 de novembro do mesmo ano - a data que entraria para a história. Neste dia, o 14 Bis fez um vôo de 220 metros em 21 segundos. É o primeiro vôo de uma máquina mais pesada que o ar que decolasse por meios próprios, sem outros recursos que não seu próprio motor. O avião já existia, naquele momento: já fora inventada uma máquina "mais-pesada-que-o-ar" que sustentasse um vôo planado e controlado, o avião dos irmãos Wright. Mas não existia uma máquina "mais-pesada-que-o-ar" que decolasse e voasse. E este é o avião de Santos Dumont: ele reinventou o avião, fazendo da máquina voadora uma máquina que decola e voa. Desta forma, a fantasia ganha contornos reais; por fim, homens voam! E voam por causa de Santos Dumont.
"Do Sonho aos Ares", vídeo comemorativo sobre Santos Dumont. (http://www.santosdumont.14bis.mil.br)
Veja também: Santos Dumont, gênio voador
[ MAIS ]
História da Aviação, Wikipédia
Alberto Santos Dumont - O Pai da Aviação
Centenário do Vôo do 14 BIS
Santos Dumont, Pai da aviacão
The Flying Machines Web Site
The Pioneer Aviators Web Site
Early Birds of Aviation
U.S. Centennial of Flight Home Page
[ HUMOR ]
Angeli, (http://www2.uol.com.br/angeli/)
ABS
SILVÉRIO ORTIZ [2:22 PM]